Os pontos de vista expressados no Blog Squad Brasil representam unicamente a visão daqueles que escrevem neste. Não representam a posição da NBA.com/Brasil, da NBA ou de alguma equipes da liga.
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Go Bucks!
Publicado por Gustavo Cardoso Julio 9 2008, 4:31 PM
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Seguindo o embalo do nosso amigo Buso, também levo meu post para as planícies de Ohio, que por quatro anos chamei de lar, doce lar.
Na NBA, esse deve ser um bom ano para os Bucks, sejam eles ex-Buckeyes, suando nas quadras mais famosas do basquete, ou Buckeyes eternos, como eu e tantos outros.
Kosta Koufos decidiu deixar o time grego de lado no Pré Olímpico. Tudo em nome de uma senhora preparação para a próxima temporada da NBA.
Mamãe Koufos deve acompanhá-lo e abastece-lo com o melhor em recheios para gyros. É assim com todos os jovens gringos na NBA, ou vocês nunca ouviram falar do caldinho especial da Dona Ivete, mãe de Leandrinho?
Greg Oden, finalmente, poderá mostrar para o que veio. Depois de muito sucesso atropelando garotos de 2,05m por toda a conferência Big Ten, e amargar um ano no banquinho dos bem vestidos (aquele atrás do banco), “Mr. Indiana Basketball” quer mostrar ao que veio.
Some aos dois o Michael Redd, grande astro dos meus anos de “keg parties”. Seus números caíram, mas ele ainda é matador com sua esquerdinha da zona morta.
Koufos deve ter um ano de adaptação, mas tirando como exemplo seus recentes depoimentos, a vontade deve superar as barreiras de entrada impostas a todos calouros. Oden deve cravar duplos dígitos na pontuação.
É, os Buckeyes vêm embalados.
Por outro lado, em “Buckeye Land” as coisas ficam cada vez mais difíceis. Thad Matta continua mostrando serviço em Columbus, fortalecendo os “Scarlet and Gray” de Ohio como nunca dantes visto. No entanto, está claro, a qualidade dos seus recrutas vêm caindo.
Será BJ Mullen o próximo grandalhão de OSU a vestir um uniforme da NBA? Certamente o garoto é um fenômeno na esfera da High School, mas, por enquanto, longe de demonstrar as abilidades de Mr. Koufos.
Se Mullen está para Koufos assim como Koufos um dia esteve para Oden, estaríamos voltando aos dias de Randy Ayers?
Dan Jantonio, Bosley, Lumpkin (um excelente tight end, por outro lado).
Ubuntu!
Publicado por Gustavo Cardoso Junio 18 2008, 9:20 AM
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Essa foi a palavra que Doc Rivers utilizou para motivar seus jogadores no primeiro dia de training camp, lá atrás, nos últimos dias do verão de 2007.
A palavra tem sua origem nas línguas Bantu das regiões do sul da África e é usada para descrever uma filosofia que prega o bem de todos ao invés do sucesso individual.
Assim Doc Rivers transformou Paul Pierce e montou, com uma dupla de novas estrelas, alguns garotos jovens e outros nem tanto, a equipe mais coesa da liga norte americana de basquete.
Um exemplo para o basquete atual, seja aquele jogado nas quadras européias, no cimento de Coney Island, nos ginásios brasileiros, ou nas Olimpíadas de Pequim.
O jogo 6 foi um resumo da ópera onde todos se superaram em nome do grupo e em prol do objetivo comum. 131-92!
Os “ultra cool” Los Angeles Lakers, com seus Jack Nicholsons e Kelly Slaters na platéia, não passaram de meros coadjuvantes. Seu maior astro, Kobe Bryant, dobrou-se frente à intensidade de seus marcadores e sentiu o peso de carregar uma equipe nas costas.
Lamar Odom e Pau Gasol, que deveriam ajudá-lo, sucumbiram perante a vontade e o espírito de equipe dos Celtics.
Analisando a temporada, percebemos que, ao final, a bola sempre tinha que ir para Kobe e esse talvez tenha sido o maior pecado dos Lakers, que começaram a temporada sob tensão, com a ameaça de ver seu grande astro mudando de casa.
A filosofia Zen, dessa vez, não vingou. Talvez venda mais alguns milhares de livros, mas é o grito de “Ubuntu” que marca a temporada 2007/2008 e não deixa fechar o ciclo (virtuoso) mais tradicional do basquete dos EUA.
Uma baforada por Red Auerbach!
Solo Rico para os Celtics
Publicado por Gustavo Cardoso Junio 12 2008, 2:20 AM
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O início, mais uma vez, parecia difícil para Odom, mas com triangulações ofensivas funcionando muito bem para os Lakers, ele continuou partindo para cima e acertou sete dos sete arremessos seguintes.
O Lakers liderou por 24 pontos.
No terceiro quarto as coisas mudaram, os Celtics apertaram a marcação e, a cada posse de bola, melhoraram seu jogo, sempre sob o comando de Ray Allen.
Nos últimos 12 minutos Garnett e Pierce entraram de vez no jogo e o imprevisto ocorreu no solo rico de Los Angeles. A maior virada da história dos playoffs.
Ah, outra coisa. Rich Soil (solo rico) é a produtora de Odom. Talvez ela possa produzir algo positivo em solo que, pelo menos hoje, enriqueceu os Celtics.
Técnicas de respiração
Publicado por Gustavo Cardoso Junio 11 2008, 12:32 AM
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Ao sentar no banco, Bryant parou em frente do lendário Kareem Abdul-Jabbar, que tranquilamente chupava um pirulito e olhava para o “menino prodígio” como dizendo: “Relaxa garoto, hoje vai dar certo”.
Não que tudo tenha dado certo para Kobe, que realmente teve seu melhor primeiro tempo da série, mas o que deu errado, com os outros, o ajudou.
Garnett, Pierce, Allen, Gasol e Odom, não apareceram. Enquanto Kobe jogava, nenhum dos principais protagonistas entregava aquilo que o público pedia e o jogo ficava marcado pelos erros.
Na busca por algo novo, Rivers lançou Eddie House e os Celtics fecharam o terceiro quarto na frente, 62-60.
O jogo seguiu duro, mas no último quarto Sasha Vujacic foi o nome da vez, anotando bolas importantes da linha dos três. Porém, foi Kobe quem chamou a responsabilidade nas últimas bolas e garantiu a vitória.
Kobe, relaxe que quinta-feira tem mais.
Técnicas de respiração
Publicado por Gustavo Cardoso Junio 9 2008, 7:45 PM
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Aconteceu de tudo com LA. Radmanovic levou uma pregada memorável de Rondo na linha dos três, o aro fez o mesmo com Odom, em enterrada que Nate Robinson faria de costas, e Kobe levou técnica em momento crucial.
Impossível acreditar que Phil Jackson controlou-se com técnicas de respiração.
Do lado dos Celtics o destaque ficou para os 21 pontos de Leon Powe, guerreiro dentro e fora das quadras, e as infiltradas “com atitude” de Rondo.
A equipe de Doc Rivers segue para Los Angeles sem a pressão inicial da série. Uma vitória nas próximas três partidas é um objetivo alcançável e faria com que as finais pudessem ser decididas em casa. Pierce, em entrevista para a ESPN, quer fechar em LA.
Se os juízes permitirem andadas como a de Radmanovic, a coisa vai ser difícil, mas pelo que vimos ontem, os erros foram dos dois lados. No entanto, que fique claro: a arbitragem falhou feio e desse jeito compromete o espetáculo.
A batalha continua nessa terça-feira e é melhor que os Lakers lembrem-se do último quarto de ontem, ou passo a acreditar nas vontades de Pierce.
Celtics 2, Lakers 0.
Olê lê, olá lá, o Pierce vem aí e o bicho vai pegar
Publicado por Gustavo Cardoso Junio 7 2008, 4:10 pm
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De repente todo o esforço de uma temporada parecia esvair-se. Os médicos do Celtics abraçaram Pierce como uma criança em uma cena que justificava ao vivo, em cores e para todo o mundo, o suspiro dos torcedores.
O jogo segue com Posey em quadra e confesso que entristeci vendo uma partida desse porte sem um de seus principais protagonistas.
Minutos depois a torcida levanta-se como se iniciasse uma ola. Pierce está de volta e o dj constrói o momento soltando o tradicional Eye of the Tiger de Rocky, que com certeza tem mais cara de Boston do que LA, apesar de lá ter sido fabricado.
Paul, em quadra, cambaleia, testando seu joelho direito. Parece estar ali por orgulho próprio e respeito aos torcedores. Assistir aquele “sofrimento” é difícil.
Porém os incrédulos (eu) logo deixam essa primeira impressão de lado. Duas bombas de três e Paul levanta o ginásio inteiro, põe o Boston na liderança e desponta como o grande nome do jogo. Menos de 12 minutos e 15 pontos sobre um joelho capenga.
O resto é resto. Celtics 1, Lakers 0.
Vai ser bom demais!
As dúvidas da juventude
Publicado por Gustavo Cardoso 14 Abril 2008, 4:10 pm
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Fãs de basquete de High School têm sorte grande e viram Oden, Durant, Conley Jr, Beasley, Rose, e Mayo brilhar durante quatro anos nas quadras de suas escolas. Por outro lado, os pobres fãs do basquete universitário, que na maioria dos casos gasta muito dinheiro (ou irão gastar - Viva o Financiamento Estudantil!) e não estuda de graça, não puderam se deliciar com as habilidades excepcionais desses super talentos por mais de poucos meses.
Em 2008 não será diferente. Quatro dos mais influentes mock drats na internet, listam uma média de 8,25 calouros (O “x-factor” de Beasley responde a 0,25), 1,25 segundo-anistas (Brooks extra que tem 0,25 altura) e apenas 0,5 quarto-anistas (que é um Roy Hibbert cortado ao meio) entre as 10 primeiras escolhas para draft.
Deixar cedo o glamour do universitário, rumo aos poderosos dólares da NBA é uma decisão correta? Boa pergunta.
Se analisarmos da perspectiva do jogador, provavelmente escolheríamos a NBA. Em um mundo onde a paciência tem perdido o seu significado, jovens "não devem" esperar por algo tão bom [como um contrato milionário] acontecer novamente, um ano a partir de agora. Estarão eles bem fisicamente? Poderão manter o mesmo padrão de jogo durante a temporada de segundo-anistas?
Eles estão indo para os contratos, porque sabem que uma nova safra de talentosos craques do High School estão sendo bajulados, paparicados e prontos para “destroçarem” o basquete universitário. Boas vindas à Greg Monroe, Jrue Holiday, e Tyreke Evans. A máquina de fazer jogadores não para. Das frias gyms de Coney Island, as quadras externas de LA, há muito material pronto pra ser lapidado.
Existe muita pressão em torno dos calouros e segundo-anistas do universitário para que tomem o próximo passo (olhe esse artigo do Wichita Eagle sobre a decisão de Beasley - http://www.kansas.com/248/story/372210.html). Não deveria ser assim, mas é. Talvez os únicos aconselhando-os a ficar por mais um ano são provavelmente seus treinadores e os ávidos torcedores do universitário (One more year!!!!).
No último ano do draft, 6 das 10 primeiras escolhas eram calouros e segundo-anistas. Você tem falado deles ultimamente? Lembra de quem estou falando, por onde andam, ou como foi o desempenho de cada um na temporada atual?
Além de Oden, que ficou de fora por razões de lesão, a maioria foi inesperadamente muito bem e registrou números sólidos no profissional. Todos tiveram suas chances de jogar, mas nenhum terá o gostinho da pós temporada. Pergunto-me se algum deles não pensou sobre sua ex-universidade durante o March Madness. O que teria acontecido se eles ainda estivessem por lá?
Olhando os calouros de ontem:
Mike Conley Jr, que era visto por muitos como o grande jogador de Ohio State, jogou em 46 jogos com médias de 8,7 pontos por jogo, 39 vezes como titular dos Grizzlies. Com a equipe de Memphis fora dos playoffs, Conley provavelmente imagina o que seria de seus Buckeyes no Final Four desse ano, caso ele e Oden ficassem mais um ano. Com ele e Cook alimentando Koufos e Oden no garrafão, os Buckeyes não seriam os Suckeyes.
Kevin Durant é provavelmente o melhor entre os calouros da classe de 07, mas o Sonics tiveram uma época terrível, e provavelmente irão terminar em último na Conferência Oeste. Texas certamente sentiu sua falta no embate frente a Memphis por uma vaga no Final Four.
Golden State ainda está lutando por uma vaga nos playoffs, mas o ex-Tarheel Brandan Wright joga pouco e sua média fica abaixo de 4 pontos por partida. Hansbrough certamente gostaria de ter contado com seu amigo nas fases finais do universitário.
Hawes? Lembra-se dele? Quero dizer Spencer Hawes, o ex pivô central dos Huskies de Washington. Ele teve a oportunidade de jogar em 64 jogos para os Sacramento Kings na temporada atual, com média de 4 pontos por partida. Enquanto a equipe da capital californiana luta já planeja as atividades de verão, os Huskies de Hawes terminaram a temporada da PAC-10 com 7 vitórias e incríveis 12 derrotas.
Espanhois em Los Angeles
Publicado por Gustavo Cardoso 7 Fevereiro 2008, 11:25 am
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Bardem rouba a cena em um filme repleto de grandes talentos como Tommy Lee Jones e Woody Harrelson. Ao mesmo tempo em que assistia ao filme, longe das notícias que chacoalhavam a NBA, Pau Gasol atraia o foco das câmeras posicionadas no Staple Center e deixava Kobe Bryant em segundo plano na vitória contra os New Jersey Nets (90-105).
24 pontos e 12 rebotes.
Foi assim que o espanhol deixou sua marca e pelas opiniões dos entendidos isso não deve mudar. De acordo com Ryan Mcneil, com quem conversei ontem, “o negócio é ótimo para os Lakers porque mantém o pulmão da equipe [Kobe, Lamar Odom e Andrew Bynum] e ao mesmo tempo traz um “titular” que é um dos melhores alas na NBA”.
Na vitória contra os Nets, Kobe anotou apenas 6 pontos, arremessou mal, e cometeu 7 turnovers (porém distribuiu 7 assistências). O destaque ficou para Derek Fisher, que trabalhou com maestria na organização do time de Phil Jackson anotando 28 pontos.
“Com o forte dueto de armação [Fisher e Farmar], e a profundidade de seu banco, parece que eles serão favoritos a levar tudo esse ano”, completa Ryan, colunista do Hoopsworld e mantenedor do Hoops Addict.
Jogue nesse novo Lakers o retorno de Andrew Bynum, que está se recuperando de uma contusão no joelho. O pivozão de 20 anos, que é acompanhado de perto por Kareem Abdul Jabbar, e considerado por muitos como um dos grandes pivôs 5 de futuro na NBA, irá fortalecer ainda mais o conjunto de Phil Jackson.
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O barulho em torno do negócio de Gasol é tão grande que as especulações sobre uma troca envolvendo Shaquille O’Neal e Shawn Marion viraram realidade. O Suns ganhou peso no garrafão para frear a chegada de Gasol à Los Angeles, mas scouts dizem que uma das razões principais pode ter sido gerada por “problemas no vestiário” do time do Arizona.
Meu voto é Gasol.
Movido ou não pela chegada do espanhol aos Lakers, a troca entre Heat e Suns serviu para esquentar ainda mais o lado Oeste da NBA.
O amigo Kurt, do Forum Blue and Gold, concorda com Ryan e acha que o Lakers será uma força no Oeste, independente do que aconteça. “Nos próximos anos, os Lakers serão tão bons quanto qualquer outra equipe na NBA, pelo menos no papel”, diz o beat writer dos Lakers.
Quando questionado se o ego de Kobe seria afetado com a chegada de uma nova estrela, Kurt foi direto, “quando perguntado após o jogo [contra os Nets] como ele [Kobe] se sentiu após uma vitória onde só anotou 6 pontos, ele abriu um grande sorriso, que todos nós não víamos há anos, e disse ‘você não faz idéia’”.
Parece que as coisas finalmente podem se ajeitar em Los Angeles.
Javier Bardem chacoalhou Los Angeles quando venceu o Golden Globe por sua performance em No country for old men, meses atrás. Logo o Oscar poderá deixar Los Angeles ainda mais espanhola, mas é a franquia mais hype da NBA e seu toque espanhol que mexerão com a cidade dos anjos.
Nenê e o peso do garrafão do Colorado
Publicado por Gustavo Cardoso 9 Novembro 2007, 2:24 pm
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Essa é a quarta temporada consecutiva onde os Nuggets perdem um jogador titular logo nas cinco primeiras partidas da temporada e a segunda vez que Nenê, é forçado a abandonar as quadras por motivo de contusão logo após as primeiras partidas de uma temporada. Nenê, que obteve médias de 6,4 pontos e 5,2 rebotes nesse início de temporada, abre espaço no elenco de George Karl.
A idéia inicial de Karl era usar Nenê na posição 4, como titular, até que Kenyon Martin voltasse a sua forma ideal, mas hoje o americano já começa jogando ao lado de Camby no garrafão do time do Colorado. O desfalque serve como uma janela de oportunidade para Steven Hunter, jogador que veio dos Sixers para essa temporada.
E aí surge, em minha opinião, a grande questão de Karl, que acredita que ele tenha potencial de all-star, conforme mostra o mesmo artigo do Post na edição de hoje. Não penso da mesma forma, mas por mais que Nenê não seja um jogador expressivo na NBA, o brasileiro garante peso e força suficiente ao leve esquadrão de jogadores 4 e 5 dos Nuggets.
Isso, leve. Marcus Camby é talentoso, mas nunca foi um 5. Talvez nos seus anos como Minutemen em Amherst, sob o olhar atento de John Calipari. Contudo, naquela época, ele mesmo sentia-se envergonhado de seu physique diminuto, e nunca esquecia das camisetas de mangas curtas sob a regata bordô de UMass.
Kenyon Martin é um jogador explosivo, mais compacto que Camby, mas tão leve quanto ele. De qualquer forma, mais leve e com menor poder de abrir espaço no garrafão que o brasileiro. Durante os Goodwill Games de 2001 Nenê, mais leve e menos musculoso do que hoje, endureceu o jogo contra Martin em partida que abriu os olhos de muitos para o jovem jogador brasileiro.
Mas qual a razão por trás dessa ênfase exagerada sobre o peso e a força dos jogadores de garrafão? Bom, se você analisar times como os Spurs ou os Lakers onde jogadores como Oberto, Odom e Andrew Bynum, desempenham, às vezes, tarefas destinadas aos 4 e 5, realmente não há muito nexo em analisar a questão dos Nuggets a partir desse ponto de vista.
Porém, não acredito que esses sejam os rivais diretos dos Nuggets na busca por uma vaga nos playoffs. O pessoal de Denver deve direcionar seu olhar ao Jazz e aos Blazers, times que lutarão diretamente pela vaga de campeão da Divisão Noroeste. Minnesota e Seattle, os outros dois times da divisão, já perderam dos Nuggets nessa temporada e não devem brigar por vagas.
No Utah Jazz os homens grandes (Boozer, Okur e Millsap) respondem por 59% dos rebotes e 43% dos pontos. Em Portland, mesmo com a contusão de Oden no período intra temporadas, Aldridge, Frye, La Frentz e Przybilla detém 50% dos rebotes e 32,1% dos pontos. Em Denver, Martin, Camby, Nenê e Hunter respondem por 57,7% dos rebotes, mas somente 23,6% da pontuação.
Enquanto os homens grandes de Utah e Portland são tão importantes quanto os de Denver na captura de rebotes por suas equipes, no aspecto ofensivo são acionados com maior freqüência por seus armadores e alas. Karl precisará dificultar esse jogo de garrafão do Jazz e dos Blazers, forçando que o jogo seja aberto mais do que de costume.
Nenê responde por 10% dos rebotes defensivos capturados pelos Nuggets (o rebote pode vir de uma bola de dentro do garrafão, é verdade, mas a porcentagem de erro aumenta de acordo com a distância da cesta), o que ajudaria muito nessa estratégia contra times acostumados a jogar no interior. Agora Karl tem dificuldade em dose dupla: dificultar a core competency de Blazers e Jazz e, caso isso seja bem sucedido, rezar para que Camby continue forte no quesito rebote ofensivo. Será que ele agüenta?
Nenê, afinal de contas, acaba sendo um all star das Montanhas Rochosas.
Brasil nas semifinais do Sul-Americano de Cadetes (U16)
Como já era esperado o Brasil classificou-se, ontem à noite, em Posadas, Argentina, para a fase semifinal do torneio sul-americano de cadetes (U16 ou sub-17). O selecionado brasileiro, comandado pelo técnico José Neto, venceu os colombianos pelo placar de 82 a 56 conquistando sua terceira vitória na fase de classificação.
O destaque da equipe foi mais uma vez o ala-pivô Rafael Maia, atleta do Paulistano. Com os 21 pontos de ontem, ele passou a ser o cestinha da equipe no torneio com 19 pontos de média por partida. Frederico dos Santos, ala-pivô do Clube Central do Rio (18.3 pontos por partida) e Jefferson Campos, armador do EC Pinheiros (11.7 pontos por partida), são os outros destaques da equipe.
Nessa sexta-feira o Brasil pega o Uruguai em disputa pelo primeiro lugar do Grupo A. Os celestes trazem alguns atletas que participaram da última edição do torneio, disputada em Montevidéo, em nomes como Bruno Fittipaldo, Nicolas Catala e Nicolas Alvarez. Os três se destacam como principais jogadores do plantel uruguaio comandado por Fernando Cabrera. Uma vitória ante os uruguaios coloca o Brazil em primeiro lugar do grupo e evita um possível encontro com a equipe dona da casa, Argentina, já nesse sábado.
Argentinos e venezuelanos brigarão pelo primeiro lugar do Grupo B em jogo que deve lotar o pequeno ginásio Bartolomeu Mitre. Os donos da casa têm uma equipe equilibrada com cinco de seus jogadores anotando mais de 10 pontos por partida em média. Do lado venezuelano José Gregório Castro, armador de 1.77m, é o destaque.
Os brasileiros entram em quadra contra os uruguaios nessa sexta-feira às 19h30. Argentinos e venezuelanos se enfrentam a partir das 21h30.
Contribuiu: Maxi Santa Cruz
A última chance para brincadeiras
Na quinta-feira os garotos da seleção sub-19 enfrentaram o selecionado principal que irá para o Pan Americano do Rio em um jogo treino no ginásio do Club Athletic Paulistano. A última oportunidade de jogar sem pressão.
Após um primeiro quarto bem disputado e vencido pelos novatos (17-15), a intensidade calculada do jogo de Marcelinho Huertas (Joventut Badalona), JP Batista (Rytas) e Marcelinho (Zalgiris), ditaram o ritmo do jogo em nome da equipe principal.
O técnico Neto iniciou a partida com o Hispânico-brasileiro Carlos na armação, Betinho e Thomas Melazzo abertos e Rafael “Mineiro” e “Paulão” Prestes em baixo. Carlos e Betinho jogaram com raça, mas não tiveram a estabilidade emocional para agüentar o jogo duro dos mais velhos.
Paulão foi a bola da vez já que a maioria das jogadas desenhadas pela comissão técnica acabavam em suas mãos. Porém, trombando com JP Batista e Caio Torres (Estudiantes de Madrid) no garrafão, suas energias se foram antes do término do segundo quarto.
Apesar das dificuldades, os três atletas serão figuras importantes na luta brasileira por uma vaga na segunda fase do Mundial Sub-19 que começa na próxima semana em Novi-Sad, Sérvia.
Alguns dos nossos garotos têm experiência de jogo nas equipes profissionais de seus clubes, mas nada comparado a qualidade e quantidade de minutos jogados por garotos como Nicolas Batum (França) e Martynas Gecevicius (Lituânia) tem tido desde que foram promovidos às equipes principais de Le Mans e Rytas respectivamente.
Por essas e outras o jogo contra o Líbano na quinta-feira é decisivo para o Brasil. Perder o primeiro jogo colocará os canarinhos em quadra na segunda rodada contra uma equipe francesa que estará, ou tentando cravar a primeira posição no grupo, ou sedenta por uma reabilitação depois de derrota para a Lituânia. Seja qual for o status da França na sexta-feira (sorte que não é sábado, queda da Bastilha), Batum estará sob pressão, uma cena que pode ser feia.
Neto sabe da importância dessa primeira partida do mundial. “O jogo contra o Líbano é decisivo”, disse após o jogo no Paulistano. Não haverá margem para erro. Do outro lado da quadra Neto encontrará Adriano Geraldes, técnico brasileiro que se foi para o Oriente Médio no início do ano em busca dos petro dólares e que estará buscando uma vitória na estréia pelas mesmas razões mencionadas acima.
A final será no dia 12 de julho. Fique de olho!
Nota: O Universo Brasília sagrou-se campeão brasileiro ao vencer Franca na semana passada. Parabéns!
A garotada do U17 brasileiro não foi bem no Sul-Americano da categoria, disputado em Guanare Portuguesa, Venezuela na semana passada (a final foi na segunda-feira). Depois de um mês de treinos em Londrina e São Paulo, a equipe dirigida por Saviani e assistida pelo ex-ala da seleção brasileira Cadum, sucumbiu frente aos argentinos.
Até aí tudo bem, pois além de perderem por apenas 1 ponto (63-64), Matias Nocedal e seus companheiros estavam engasgados com os brasileiros desde novembro do ano passado em Montevidéu (sede do U16). Além disso, Pablo Orlietti, pivozão de 2,06m, evoluiu bastante, o que gerou dificuldades para os grandalhões brasileiros.
O problema foi a derrota na disputa do bronze. Depois de aniquilarem os uruguaios na fase de classificação, nossos garotos deixaram a desejar e perderam uma partida chave para o futuro dessa geração. O bronze daria ao Brasil uma vaga na Copa América que, mais tarde, poderia render uma vaga no mundial U19. Sorte do Uruguai.
Da Venezuela de Chavez para os ares das montanhas rochosas norte-americanas. Terra do esqui, terra de Nenê. Uma semana de jogos intensos em Colorado Springs contra ótimos atletas de ‘high-school’ norte-americanos foi o presente dado aos brasileiros após a decepção em terras venezuelanas. Uma semana dura com cinco derrotas expressivas por diferença de mais de 30 pontos. Uma lição ficou: nossos garotos têm que comer muito feijão para chegar ao topo do basquete mundial.
Porém gosto sempre de fazer uma análise positiva. O torneio colocou o Brasil à frente de 30 das grandes promessas do basquete universitário norte-americano. Armadores e alas como Jrue Holiday, Cory Luscious e Tyreke Evans e alas de força e pivôs do calibre de Greg Monroe, Delvon Roe e Al-Fariq Aminu, todos grandes craques da bola laranja.
Jovens que já vislumbram anos de sucesso no basquete universitário norte-americano e quem sabe uma escolha durante os drafts da NBA em 2009, 2010, 2011 e 2012. Como se pode ver, os jovens brazucas tiveram um teste e tanto e alguns, segundo as estatísticas confirmam, souberam aproveitar a grande oportunidade.
Caso de Vitor Benite, armador de Rio Claro, César Mapeli, ala-pivô do EC Pinheiros, e André Silva, ala-pivô de Franca. Os três estiveram em Montevidéu no ano passado onde Vitor e André se destacaram. Vitor demonstra uma maturidade difícil de ser encontrada em garotos de pouca idade. Tem uma expressão séria e um olhar de dedicação estampado em seu rosto. André também. Fala mansa, andar tranqüilo e experiência francana.
O caso a parte é César Mapelli. Em 2006, antes do Sul-Americano U16, César sofreu uma contusão durante a fase de treinamentos em Uberlândia o que prejudicou sua participação no torneio. O resultado foi um papel de coadjuvante naquele que é o primeiro torneio internacional de seleções nessa parte do mundo. Na Venezuela Mapelli também teve participações menos expressivas que jogadores como André e Rodrigo Silva, companheiros de garrafão.
Porém, em Colorado Springs, jogando contra rivais de alto nível, difíceis (impossíveis?) de serem encontrados na América do Sul, César foi o ‘go to guy’, como diriam os americanos, da dupla Saviani e Cadum. Fechou sua participação em Colorado Springs com médias de 21,4 pontos, 8,8 rebotes, 1,4 roubos e 0,8 assistências durante 31 minutos e meio de média em quadra. Números expressivos que no mínimo lhe renderão olhares atentos de ‘scouts’ do universitário americano.
Parabéns...
As estatísticas
O Brasil ainda pena no jogo de armação. Controlar a posse de bola sob forte marcação é das tarefas mais difíceis no basquete de hoje, principalmente quando os adversários são norte-americanos. Maiores e mais fortes, o pessoal da terra do Tio Sam parece ter gás para 90 minutos de futebol em ritmo de basquete. Porém são nessas posições, de armação, que países como Argentina e Espanha conseguiram solidificar seu jogo equiparando-se aos grandes centros do basquete.
Em Colorado Springs os armadores e alas-armadores brasileiros (1 e 2, ‘point guards’ e ‘shooting guards’) cometeram uma média de 2,9 erros por jogo e anotaram um total de 4,87 pontos de eficiência (pontos + rebotes + assistências + bloqueios + roubos – a soma entre arremessos errados e erros). Entre os três times norte-americanos que disputaram o torneio esse número ficou em 2,8 erros, algo muito próximo aos brasileiros, mas 17,9 em eficiência. E que eficiência.
Os homens baixos americanos participam muito mais do jogo do que os nossos, não só na pontuação (um quesito que não deve ser tomado como base), mas em todos os outros fundamentos. Eles capturaram 45% dos rebotes (ante 34% dos brasileiros), deram 76% das assistências (ante 71% dos brasileiros; armadores americanos obtiveram média de 4 assistências por jogo contra 2,67 dos brasileiros), foram responsáveis por 36% dos tocos (ante 26% dos brasileiros), e roubaram 65% das bolas recuperadas de suas equipes (ante 38% dos brasileiros).
Resumindo: O Brasil tem de melhorar seu jogo de armação unindo a frieza do ‘armar’ à garra do ‘participar’. Nossos grandalhões estão longe de ter a mobilidade de atletas como Kevin Garnett e Pau Gasol (ou de Delvon Roe e Greg Monroe para não nos distanciarmos de Colorado Springs) e esse é outro motivo que deveria forçar nossos alas a serem mais participativos.
Treinar e jogar sob forte marcação são requisitos necessários para o desenvolvimento de grandes armadores.
O ‘quinteto eficiente’ brasileiro:
Vitor Benite, armador, 1,86m
Rafael Alves, ala-pivô, 2,01m
André Silva, ala-pivô, 2,01m
César Mapelli, ala, 2,01m
Augusto Lima, ala-pivô, 2,05m
Torneio de Douai: os EUA perdem 4 jogos
Aconteceu no último final de semana em Douai, ao norte da França, o já conhecido e popular Tournoi Mondial de Basket. Em sua 21ª edição, esse campeonato internacional reúne jovens talentos do mundo inteiro (por lá já passaram Carmelo Anthony, Tony Parker e Daniel Gibson) para alguns dias de competição nas quadras do Basket Club Douai. Esse ano não foi diferente já que atletas como Nicolas Batum e Andrew Ogilvy deram o ar da graça. Os campeões foram os israelenses, que levaram sua esquadra sub-20.
Batum, cotado alto para o Draft de 2008, fechou o torneio em grande forma sendo escolhido para a seleção do Tournoi Mondial desse ano. Ele, Patrick Mills (Austrália), Andrew Ogilvy (Austrália), Martunas Gecevicius (Lituânia) e o MVP do campeonato Omre Casspi (Israel) deixaram todos os americanos de fora.
Casspi é um pivô magrelo de 2,04m no melhor estilo Tayshaun Prince. Cria do Maccabi Tel-Aviv, foi transferido para o Hapoel Galil Elyon na temporada 06/07 o que contribuiu para o crescimento exponencial de seus números. 15.6 pontos por partida nos 6 jogos da Euro Challenge e 11.2 pontos na temporada israelense. Será que os colleges americanos estão de olho nele? E a NBA? Talvez.
Os EUA perderam quatro (é isso mesmo) das cinco partidas que fizeram e mostram que a molecada internacional vem jogando cada vez mais forte. Jordan Hamilton, da Susan Miller Dorsey High School, foi o grande destaque entre os norte-americanos, sendo reconhecido como “o melhor marcador” do campeonato. Por outro lado a equipe, que estreou vencendo a Alemanha por 112 a 88, só colecionou fracassos.
Os americanos, que ganharam a 20ª edição do torneio, já não navegam em águas tranqüilas nas categorias de base. Estarão os EUA sofrendo da mesma síndrome que aflige suas equipes adultas desde 1987 (Oscar Schmidt e Marcel contribuíram para a revisão dos conceitos da USA Basketball após vitória sobre os garotos da NCAA no Pan de Indianápolis), quando atletas da NCAA ainda eram os representantes principais?
É verdade que o Torneio de Douai não foi um bom parâmetro para colocarmos o basquete de base europeu a frente do modelo do ‘high school’ norte-americano, mas o Mundial Sub-19, que começa mês que vem na Sérvia, pode não ser tão fácil quanto OJ Mayo e seus comparsas imaginam.
Façam suas apostas.
Resultados finais em Douai
Israel (5v-0d)
Austrália (4v-1d)
França (3v-2d)
Lituânia (2v-3d)
EUA (1v-4d)
Alemanha (0v-5d)
Publicado pelo Gustavo Cardoso - June 13 2007 9:05 am
Um canarinho nas finais!
O inverno nem começou, mas o frio, esse ano, resolveu chegar mais cedo a São Paulo. Bom para ficar em casa, debaixo das cobertas, e atento aos placares da NBA, não é? Ainda mais quando Anderson Varejão, pivô dos Cleveland Cavaliers, pode se tornar o primeiro brasileiro a chegar as finais da liga.
O “Coisa Selvagem” (Wild Thing), natural do Espírito Santo, é o único brasileiro “vivo” na competição mais envolvente do basquete mundial, e nesse exato momento, às 22h10min de Brasília, tudo indica que ele terá a grande oportunidade de colocar o nome do Brasil lá em cima, junto a faixa de campeão da Conferência Leste 06/07. O primeiro quarto acabou e Varejão, com apenas 3m41s em quadra, já anotou 5 pontos, fechando a parcial como terceiro maior pontuador da equipe, depois de Larry Hughes e Aleksandar Pavlovic. Cleveland 27, Detroit 21.
A primeira vez que vi Anderson jogando foi pela TV em uma das transmissões do campeonato paulista feitas pela ESPN Brasil. Esguio, com cara de moleque, mas com tranças no cabelo que já davam a ele um ar de intensidade, Anderson jogava pela equipe de Franca, uma das mais importantes do basquete do Brasil, não se sabe se com a certeza que um dia estaria disputando uma final de Conferência na NBA.
Começa o segundo quarto e Varejão segue em quadra como fiel escudeiro de Lebron. O brasileiro tem grande oportunidade de assinalar seus primeiros dois pontos quando recebe a bola dentro do garrafão, mas sob marcação não converte. No contra-ataque Mcdyess e Wallace finalizam cestas em baixo do aro e deixam os Pistons colados no marcador (27-31).
O que será que Sandro Varejão, seu irmão mais velho, está pensando? O ex-pivô dos Mountaineers de West Virginia sempre foi um grande exemplo para Anderson e hoje, com seus 34 anos, mas ainda ativo nas ligas profissionais brasileiras, é um de seus maiores torcedores.
22h51min de Brasília. Varejão vai para o banco enquanto Rip Hamilton decide chamar o jogo para o seu lado. Os Pistons estão apenas dois pontos atrás (35-37). Ilgauskas e James tranqüilizam os mais de 20,000 torcedores presentes na Quicken Loans Arena e colocam os Cavs quatro pontos à frente (37-41). Nada disso aflige os representantes do estado de Michigan que conseguem empatar o jogo e forçam um pedido de tempo do time da casa. O jogo segue equilibrado e ao final do primeiro tempo o placar está empatado em 48 pontos.
O Brasil já parecia pequeno para o jovem gigante de cabelos encaracolados e assim, em 2002, Anderson seguiu para o velho continente em busca de novos sonhos. As cores azul e grená do FC Barcelona, tão bem representadas por brasileiros que, diferente do capixaba, brilharam e brilham com as bolas nos pés, seriam parte de sua nova vestimenta. Em 9 partidas da Euroliga Anderson teve médias de 4,7 pontos e 4 rebotes. Nada mal para um garoto de apenas 19 anos.
Terceiro quarto em Cleveland e o quinteto de Detroit parece determinado a azedar o sonho brasileiro. 23h43min e o jogo segue empatado. Anderson continua no banco com os mesmos 5 pontos que anotou logo no primeiro quarto. O tempo passa e Mike Brown aponta para o brasileiro sentado ao final do banco da equipe de Ohio, mas na quadra as coisas não estão fáceis. Anderson não pode fazer muito. Cleveland 57, Detroit 56.
Os anos que seguem dão ao brasileiro uma experiência inigualável. Atuando ao lado de atletas como Sarunas Jasikevicius e Dejan Bodiroga, Anderson tem acesso ao que há de melhor no basquetebol europeu. Percebe-se que o jovem brasileiro já não é mais o mesmo. Seus sonhos já devem contemplar a NBA e a paciência passa a ser a sua maior virtude.
00h11min. Domingo no Brasil, dia de futebol. Não, ainda não. Com a ajuda de Daniel Gibson e Lebron James, Anderson vê seus Cavaliers dispararem no marcador após uma impressionante arrancada de 12 a 1 no início do último período (79-67). O tempo passa e os Pistons não conseguem se recuperar. Gibson, confiante além da linha dos três, continua derrubando tudo o que vê pela frente. São quatro bolas e 12 pontos em menos de 5 minutos.
O grande dia chegou. O Draft de 2004 vê Dwight Howard despontar como número 1 e ir direto para Orlando, mesma equipe que seleciona Varejão como 1ª escolha do segundo turno. Mais tarde Varejão é negociado com os Cavs. Enfim, o grande sonho foi concretizado. Anderson Varejão, do Espírito Santo, Brasil, é mais um brasileiro na National Basketball Association.
00h34min. Cleveland 93, Detroit 78, 3m34s no relógio, o canto ecoando nas arquibancadas da Quicken Loans Arena, Gibson com 31 pontos, e Varejão na quadra fazendo seus bloqueios e executando suas tarefas com perfeição. Falta pouco para o brasileiro chegar as finais da NBA. Mais dois pontos de Varejão! Cleveland 96, Detroit 80. “The clock is ticking down”, diz o narrador. Festa em Cleveland, festa em Vitória, Espírito Santo.
Domingo, 00h44min, 3 de junho de 2007. O Brasil está nas finais da NBA!!!!!
Publicado pelo Gustavo Cardoso - June 4 2007 5:52 pm

